Iniciativa busca ampliar a qualidade do cuidado, fortalecer a sustentabilidade do setor e promover longevidade com foco em prevenção, coordenação assistencial e experiência do paciente.
A saúde suplementar brasileira vive um momento de transformação. Com mais de 52 milhões de beneficiários, o setor alcançou um nível de maturidade que exige um novo olhar sobre a forma como o cuidado em saúde é organizado e oferecido à população.
Após mais de duas décadas de atuação regulatória, a ANS inicia uma nova etapa voltada à melhoria da qualidade assistencial. A proposta é avançar de um modelo centrado em procedimentos e atendimentos pontuais para uma lógica baseada em cuidado contínuo, coordenado e mais próximo das necessidades dos pacientes.
A iniciativa ganha força diante de um cenário demográfico e epidemiológico desafiador. O Brasil envelhece rapidamente e a expectativa é que, até 2040, uma em cada cinco pessoas tenha mais de 65 anos. Paralelamente, cresce o número de beneficiários convivendo com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, que exigem acompanhamento permanente e integrado.
Nesse contexto, a ANS estruturou um novo eixo regulatório voltado à assistência, com foco na qualidade do cuidado e na sustentabilidade do setor. O objetivo é incentivar modelos mais preventivos, eficientes e centrados no paciente, reduzindo desperdícios, fragmentação do atendimento e repetição de procedimentos.
Hoje, muitos beneficiários ainda enfrentam dificuldades na coordenação entre consultas, exames, especialistas e tratamentos. Esse cenário impacta diretamente a experiência do paciente e pode comprometer a efetividade do cuidado ao longo do tempo.
Para enfrentar esse desafio, ganha destaque o Projeto Colaborativo Cuidado Integral à Saúde, que lançou seu terceiro edital para o ciclo 2026-2027. A iniciativa reúne operadoras, prestadores de serviços e instituições de excelência para desenvolver e testar novos modelos assistenciais baseados nos atributos da Atenção Primária à Saúde (APS), como coordenação do cuidado, acompanhamento longitudinal e formas de remuneração baseadas em valor.
A proposta funciona como um espaço de construção conjunta de soluções regulatórias alinhadas à realidade do setor e às necessidades da população. Nesta nova etapa, entre 15 e 50 binômios — formados por operadoras e prestadores de serviços — serão selecionados para implementar modelos de atenção coordenada em rede.
A participação das operadoras é voluntária, mas aquelas que aderirem terão a oportunidade de contribuir diretamente para a construção de parâmetros que poderão orientar o futuro eixo de regulação assistencial da ANS. A expectativa é consolidar evidências, experiências práticas e aprendizados capazes de fortalecer uma regulação mais moderna, eficiente e conectada à jornada do beneficiário.
Além de estimular inovação e sustentabilidade, a iniciativa também busca acelerar a adoção de práticas que promovam melhores indicadores assistenciais e mais resolutividade no cuidado.
O foco da ANS é claro: garantir que o consumidor receba um atendimento mais integrado, preventivo e eficiente. Mais do que tratar doenças, a proposta é criar condições para que as pessoas vivam mais, com autonomia, qualidade de vida e longevidade.
Fonte: Migalhas
